Quando pensamos em ensinar responsabilidade ao filho e prepará-lo para a vida, é comum imaginarmos as grandes coisas: um bom estudo, uma profissão, um trabalho, uma carreira e uma vida financeira organizada.
Mas, quando olho para meu filho, que ainda tem seis anos, penso que tudo isso começa muito antes.
Começa nas pequenas coisas.
A responsabilidade que queremos ver no adulto precisa começar a ser ensinada durante a infância.
Não estou falando como especialista em educação. Estou falando como mãe.
Dentro da minha casa, tenho procurado ensinar meu filho aos poucos, respeitando a idade dele e aquilo que ele já consegue fazer. Afinal, acredito que ensinar responsabilidade ao filho também significa permitir que ele aprenda, tente e amadureça um pouco de cada vez.
Ensinar responsabilidade ao filho começa na infância
Quando uma criança é pequena, é natural que os adultos façam muitas coisas por ela. Afinal, ela ainda está aprendendo.
Conforme cresce, porém, algumas tarefas podem começar a fazer parte da sua rotina: guardar os brinquedos, cuidar dos próprios materiais, organizar aquilo que usou, ajudar em alguma coisa simples dentro de casa e lembrar de uma pequena responsabilidade.
Isso não precisa ser pesado nem transformar a criança em adulto antes da hora.
Pelo contrário, é apenas uma maneira de mostrar que cada pessoa dentro de uma família pode aprender a cuidar daquilo que está ao seu alcance.
Ensinar responsabilidade ao filho sem fazer tudo por ele
Às vezes, fazer pelo filho é mais rápido.
É muito mais fácil pegar a roupa e guardar, recolher o brinquedo, arrumar o material ou fazer aquilo que ele está demorando para terminar.
Quando estamos com pressa, inclusive, muitas vezes acabamos fazendo mesmo.
Eu também faço.
Por outro lado, preciso lembrar que, se fizer tudo sempre, ele não terá oportunidade de aprender.
Por isso, quando é algo que já consegue fazer sozinho, procuro deixá-lo tentar, mesmo que demore mais ou não fique exatamente como eu faria.
Porque aprender também significa praticar.
Esse pensamento também faz parte da maneira como procuro preparar meu filho para a vida desde pequeno.
Pequenas consequências também ensinam responsabilidade
Se ele esquece alguma coisa que deveria ter guardado, por exemplo, pode precisar voltar e guardar.
Da mesma forma, se deixa um brinquedo fora do lugar, pode precisar organizá-lo antes de pegar outro.
São pequenas situações.
Não estou falando de castigos exagerados, mas de consequências naturais e adequadas à idade.
Assim, aos poucos, a criança vai entendendo que suas escolhas têm resultados.
E esse é um aprendizado importante para a vida.
Ensinar responsabilidade não é castigar
Essa diferença é importante para mim.
Não quero que meu filho pense que responsabilidade é uma punição. Quero que entenda que ela faz parte da vida.
Um adulto precisa cuidar de suas coisas, cumprir compromissos, trabalhar, cuidar da própria casa e fazer aquilo que promete.
Então, por que não começar a ensinar pequenas responsabilidades enquanto ele ainda é criança?
A infância é um tempo de preparação, não de pressa.
Ensinar responsabilidade ao filho também é respeitar a idade
Meu filho tem seis anos. Portanto, não posso exigir dele aquilo que seria responsabilidade de um adulto.
Ele ainda precisa de ajuda, de lembretes e do meu acompanhamento. E isso é normal.
Ensinar responsabilidade ao filho não significa dizer:
“Agora você se vire.”
Na verdade, significa dizer:
“Isso você já consegue fazer. Vamos aprender.”
Existe uma diferença enorme.
A criança precisa de espaço para tentar, mas também precisa saber que pode contar com o adulto enquanto aprende.
E quando ele não quer fazer?
Aí aparece outra parte da educação.
Nem sempre a criança vai querer fazer aquilo que precisa. Adultos também são assim.
Há dias em que não queremos trabalhar, organizar a casa ou resolver determinada tarefa. Ainda assim, fazemos porque existe responsabilidade.
A criança também precisa começar a aprender isso, pois nem tudo o que precisamos fazer será divertido.
Responsabilidade também significa aprender a fazer o que precisa ser feito, mesmo quando não estamos com vontade.
Claro que esse aprendizado precisa acontecer de acordo com a idade da criança, sempre com orientação e bom senso.
A rotina ajuda a ensinar responsabilidade ao filho
Quando uma coisa acontece sempre da mesma maneira, a criança começa a entender melhor.
Por exemplo, depois de brincar, é hora de guardar. Depois de estudar, podemos organizar o material. Depois de usar alguma coisa, colocamos novamente no lugar. Antes de dormir, algumas tarefas simples também podem fazer parte da rotina.
Aos poucos, esses pequenos hábitos vão se tornando naturais. Com o tempo, inclusive, algumas tarefas deixam de precisar ser lembradas o tempo todo.
Entretanto, isso não acontece de um dia para o outro.
É preciso repetição, acompanhamento e paciência.
Algumas indicações para ajudar na organização da criança
Quando estamos tentando ensinar responsabilidade ao filho, deixar algumas coisas acessíveis e ter um lugar definido para guardá-las pode ajudar na rotina.
Isso não significa que um organizador fará a criança aprender sozinha. O acompanhamento continua sendo nosso. Porém, um espaço organizado pode facilitar a prática de guardar aquilo que foi usado.
Uma sugestão é esta Estante Organizadora para Brinquedos e Brinquedotecas, que pode ajudar a criar um lugar definido para os brinquedos.
Para os livros, este Organizador de Livros Infantil — Estante, Nicho e Prateleira pode ser uma opção para deixá-los organizados e acessíveis. Dessa maneira, a criança também pode ser incentivada a cuidar deles e devolvê-los ao lugar depois de usar.
Outra opção é este Cesto Organizador Infantil para Brinquedos e Roupas, que pode ajudar a manter algumas coisas no lugar e facilitar a participação da criança na organização.
Esses itens são apenas sugestões que podem facilitar a rotina. Afinal, o mais importante continua sendo ensinar, acompanhar e repetir esses pequenos hábitos no dia a dia.
Nem todo dia funciona

Também não quero passar a impressão de que aqui em casa tudo acontece perfeitamente.
Não acontece.
Em alguns dias, ele esquece. Em outros, precisa ser lembrado. Às vezes está cansado e, em determinadas situações, precisamos conversar.
E tudo bem.
Educação não acontece em um único dia. É um processo de repetição e acompanhamento.
Hoje talvez ele precise que eu lembre. Amanhã, quem sabe, faça sozinho. Depois de algum tempo, aquilo pode se tornar um hábito.
O exemplo dos pais também ensina responsabilidade
Se queremos ensinar responsabilidade, precisamos lembrar que nossos filhos também observam aquilo que fazemos.
Eles percebem se cumprimos nossas responsabilidades, cuidamos da casa, respeitamos horários e fazemos aquilo que prometemos.
Por isso, penso que educar também é dar exemplo.
Não adianta falar sobre responsabilidade o tempo inteiro se a criança não vê responsabilidade sendo praticada pelos adultos.
Nós também erramos, esquecemos e precisamos corrigir algumas coisas. Mesmo assim, nossos filhos precisam perceber que responsabilidade faz parte da vida, inclusive da vida dos adultos.
Ensinar a cuidar das próprias coisas
Uma das coisas que considero importantes é ensinar meu filho a cuidar daquilo que possui.
Brinquedo não é descartável. Da mesma forma, material escolar não é simplesmente algo que pode ser perdido. A roupa precisa ser cuidada, e os livros precisam ser tratados com cuidado.
Assim, a criança começa a entender que as coisas têm valor.
Isso não significa que ela nunca vai quebrar ou perder alguma coisa. Vai acontecer, porque crianças erram.
Nessas situações, porém, podemos aproveitar para conversar e ensinar.
Mais importante do que simplesmente reclamar é ajudá-la a entender o que aconteceu e como pode agir melhor da próxima vez.
Responsabilidade também envolve outras pessoas
Responsabilidade não é apenas cuidar dos próprios objetos. Também envolve a maneira como tratamos as pessoas.
Cumprir uma promessa, tratar alguém com respeito, ajudar quando puder, reconhecer quando fez algo que machucou outra pessoa, pedir desculpas e ser honesto são alguns exemplos.
Essas atitudes fazem parte da formação do caráter. Por isso, são valores que quero ensinar dentro da minha casa.
A fé também entra nessa formação
Como cristã, acredito que a responsabilidade também está relacionada à maneira como vivemos diante de Deus.
Quero ensinar meu filho que nossas atitudes têm importância e que devemos fazer o que é certo mesmo quando ninguém está olhando.
Além disso, quero que ele aprenda a tratar as pessoas com respeito, a ser honesto e a cumprir suas responsabilidades.
Mais do que simplesmente seguir regras, desejo que ele entenda que o caráter também faz parte da vida cristã.
A Bíblia também nos faz pensar sobre a responsabilidade de ensinar nossos filhos. Em Provérbios 22, na Bíblia da Sociedade Bíblica do Brasil, encontramos o princípio de orientar a criança no caminho em que deve andar.
Portanto, a fé que ensinamos dentro de casa também precisa aparecer na maneira como tratamos as pessoas, cuidamos das nossas responsabilidades e fazemos aquilo que é correto.
Ensinar hoje pensando no homem que ele será amanhã
Hoje ele é uma criança, mas um dia será adulto. E é impossível não pensar nisso enquanto educamos.
Quero que meu filho cresça sabendo cuidar de si e de uma casa. Também desejo que saiba trabalhar, cumprir compromissos e cuidar da família.
Acima de tudo, quero que seja alguém em quem outras pessoas possam confiar e um homem que cumpra sua palavra.
Não espero que tudo isso apareça magicamente quando ele completar dezoito anos.
Quero começar a ensinar enquanto ele ainda é pequeno.
Ensinar responsabilidade também vale para as meninas
Quando penso nisso, não acredito que responsabilidade seja apenas algo que precisamos ensinar aos meninos.
Meninas também precisam aprender.
Uma menina precisa aprender a cuidar de si, ter responsabilidade, estudar, trabalhar e tomar decisões. Além disso, precisa aprender a cuidar daquilo que possui, ter prudência, conhecer seus valores e entender seu papel dentro da família e da sociedade.
Afinal, cada criança precisa ser preparada para a vida.
Não quero criar um filho dependente de mim

Essa talvez seja uma das coisas que mais me fazem pensar.
Ser mãe é cuidar. Entretanto, cuidar não significa fazer tudo para sempre.
Meu filho precisa aprender a fazer algumas coisas sem mim, porque um dia eu não estarei ao lado dele em cada pequena situação.
Aos poucos, ele precisará saber tomar decisões e resolver problemas. Ao mesmo tempo, também deverá saber pedir ajuda quando necessário.
E eu quero que ele tenha segurança para isso.
Quero que minha presença hoje ajude a construir a independência dele amanhã.
Isso não significa deixá-lo sozinho antes da hora.
Pelo contrário, significa ensiná-lo, acompanhar seu crescimento e, aos poucos, permitir que ele faça aquilo que já está preparado para fazer.
Pequenas tarefas podem ensinar grandes coisas
Guardar um brinquedo, organizar um material ou cumprir uma pequena tarefa pode parecer pouco.
No entanto, são justamente essas experiências que ajudam a criança a compreender conceitos maiores, como responsabilidade, organização, compromisso, cuidado e perseverança.
Talvez seja justamente por serem pequenas que conseguimos ensiná-las melhor.
Por isso, não precisamos esperar que nosso filho seja adulto para começar.
Ensinar responsabilidade ao filho também exige paciência
Essa parte é importante.
Ensinar uma criança exige repetição. E repetição cansa.
Às vezes a gente pensa:
“Eu já falei isso tantas vezes!”
Mas talvez seja justamente isso que faça parte da educação.
A criança ainda está aprendendo e não vai absorver tudo de uma vez. Por isso, precisamos repetir, explicar, lembrar, corrigir e tentar novamente.
Educar é muitas vezes ensinar a mesma coisa até que ela se transforme em hábito.
Quero que ele saiba que pode ajudar
Também gosto da ideia de meu filho perceber que ele faz parte da família.
Ele não é apenas alguém que recebe. Dentro daquilo que sua idade permite, também pode contribuir.
Pode ajudar em uma tarefa, cuidar de alguma coisa e participar da rotina da casa.
Isso não diminui a infância. Pelo contrário, pode ajudá-lo a entender que uma família é formada por pessoas que cuidam umas das outras.
Não quero uma criança perfeita
Assim como não quero ser uma mãe perfeita, também não espero ter um filho perfeito.
Ele vai errar e esquecer algumas coisas. Em certos momentos, fará escolhas ruins e precisará ser corrigido.
Tudo isso faz parte do crescimento.
Meu objetivo não é eliminar todos os erros. É ensinar meu filho a aprender com eles.
Quando fizer algo errado, quero que tenha coragem para reconhecer. Também desejo que ele não precise mentir para esconder o erro, que saiba pedir desculpas e que tente reparar aquilo que fez.
Isso também é responsabilidade.
O futuro começa nas pequenas coisas de hoje
Quando olho para meu filho, vejo uma criança de seis anos. Ao mesmo tempo, vejo alguém que está começando uma longa caminhada.
Ainda existe muito para aprender e, certamente, haverá muitas fases, escolhas e desafios.
Eu não consigo preparar meu filho para cada situação que encontrará no futuro. Porém, posso ensinar princípios que poderão acompanhá-lo.
Posso ensinar responsabilidade, respeito, honestidade, trabalho, cuidado, fé e amor pela família.
Além disso, posso dar um exemplo.
Por isso, para mim, ensinar responsabilidade ao filho não é pensar apenas no que ele consegue fazer hoje. É também participar da formação da pessoa que ele está se tornando.
Uma conversa de mãe para mãe
Se você também tem filhos, talvez já tenha percebido que muitas das coisas que queremos ver neles quando forem adultos começam agora.
Não precisamos esperar.
Podemos começar com aquilo que cabe na idade deles: uma pequena tarefa, um brinquedo guardado, uma palavra cumprida, um pedido de desculpas, uma ajuda dentro de casa, um momento de estudo ou uma oração.
São pequenas coisas. No entanto, repetidas ao longo dos anos, podem formar hábitos.
E os hábitos ajudam a construir caráter.
Eu não sei exatamente como será meu filho quando crescer, mas sei o que desejo para ele.
Quero que seja um homem responsável, honesto, trabalhador, cuidadoso com sua família e, acima de tudo, alguém que conheça a Deus.
Por isso, continuo ensinando.
Um pouco por dia, uma conversa de cada vez e uma responsabilidade de cada vez.
Quando a gente olha para uma criança pequena, pode parecer que o futuro está muito distante.
Mas ele está sendo construído agora.
Dentro de casa.

